A inteligência artificial não vai substituir os seres humanos no futuro

Por Edmar Bulla*

Estamos vivendo a quarta revolução industrial, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas que estão mudando o mundo, a forma como nos relacionamos, trabalhamos e consumimos. Precedida por revoluções anteriores, que igualmente moldaram a sociedade com inovações como a máquina a vapor, a eletricidade e a computação, esta nova era apresenta ao mundo a inteligência artificial, a robótica e os assistentes virtuais, que estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano.

Varejo, indústria e serviços estão tentando acompanhar essa transformação e gerar adaptabilidade aos novos hábitos. A utilização de soluções de AI e robótica para mapear comportamentos de compra e consumo potencializam os processos investigativos de pesquisas tradicionais e agregam riqueza de dados e inovação aos negócios. No entanto, apesar do advento dessas inovações, o fator humano continua sendo indispensável e se constitui matéria prima para a execução da Inteligência Artificial e o aprimoramento de novas tecnologias. Afinal de contas, a AI só existe por conta de seres humanos e funciona através deles.

Mesmo quando Garry Kasparov, campeão mundial de xadrez, perdeu uma partida para o Deep Blue e, da mesma forma, a disputa do AlphaGo com Ke Jie, melhor jogador de tabuleiro do mundo teve o mesmo fim, o fator humano foi primordial para que o próprio embate se estabelecesse. O Deep Blue perdeu o primeiro jogo em 96, mas no ano seguinte venceu, evidenciando que essa tecnologia aprende a partir do comportamento humano e que sozinha não tem finalidade de existir. O grande vencedor, como sempre, foi o ser humano, criador de algo que pode explorar possibilidades algorítmicas em situações não humanas de tempo, esgotamento físico e questões emocionais. A multiplicidade da AI é, de certa forma, linear no seu comportamento programático e jamais suplantará a complexidade humana de reações, captura de estímulos e a percepção do ponto de vista de mapeamento de sentimentos e sensações. A inteligência artificial está avançando, mas nós sempre seremos o ponto de início e fim nesse processo.

No mercado de consumo, ela é ainda mais importante para mapear sentimentos, para tornar o varejo mais assertivo e entregar canais, formatos de loja, produtos, preços e serviços de acordo com as necessidades e padrões comportamentais dos clientes. A inteligência artificial pode mapear jornadas de compra e consumo, entender quem é o cliente e, através de padrões, desenvolver chatbots para criar interfaces importantes. O seu avanço é natural e uma revolução histórica que não temos mais como interromper. E não precisamos ter medo, mas sim tirar proveito do que nós mesmos criamos para aprimorar modelos preditivos que consigam identificar padrões e se antecipar a hábitos, criando clones daquilo que possa ser reproduzido em diferentes momentos de toda a cadeia de valor, que só existe por causa de humanos que compram e consomem produtos e serviços.

*Edmar Bulla é CEO da Croma, empresa que oferece design de soluções para negócios e inovação

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