Mundo corporativo: do hierárquico para o orgânico

É evidente que grande parte das atuais estruturas corporativas está em colapso, especialmente pela falta de processos de trabalho adequados às novas demandas dos consumidores, que possuem novos hábitos de consumo de mídia e, consequentemente, novas relações com as marcas, seus produtos e serviços.

Os modelos hierárquicos rígidos e com pouca agilidade para respostas tornam-se inapropriados nesse cenário de interação em tempo real, 24×7. Assim como a loja física deixou de ser o agente que define o horário de consumo no varejo, as estruturas corporativas deixaram de ser o agente exclusivo que define as relações com os consumidores.

Hoje, os consumidores definem quando, quanto e o que querem. E se sua empresa não está disposta a oferecer tudo isso, certamente seu concorrente estará. As relações voláteis e flexíveis dos consumidores afetaram as relações de trabalho e os processos que até então definiam o ideal corporativo.

A profunda relação cross company e cross area exigida pela necessidade de possuir e analisar a visão única de consumidor em tempos digitais faz com que modelos orgânicos de trabalho sejam estabelecidos: funções multitarefa, com mais autonomia, capacidade de tomada de decisões rápidas e com profunda interelação com vários departamentos são demandadas. Esta passa a ser a realidade de muitas empresas e o desafio de gestores que foram moldados em padrões clássicos de administração. Assumir que profissionais muito jovens possam assumir cargos de alta gerência ou diretoria é uma grande quebra de paradigma.

Falando nisso, a ausência de paradigmas trazida pelo Tesarac atual e a conseqüente falta de um novo modelo de trabalho faz com que os profissionais que estão hoje assumindo cargos importantes tornem-se os responsáveis por criar novas metodologias sem ter o privilégio de poder analisar o objeto de estudo de maneira estática. Não é possível avaliar uma realidade imóvel pelo simples fato dela estar em constante movimento e mutação, porque as relações estão cada vez mais baseadas na grande plataforma digital.

Neste ano, os primeiros representantes da chamada Geração Y estão completando 30 anos. Em muitas organizações é possível perceber mudanças significativas. Em outras, no entanto, ainda enfrentamos mentalidades arcaicas que justificam que as redes sociais são perigo de produtividade e, por esse motivo, devem ser bloqueadas. E minha pergunta é: como bloquear canais nos quais o seu consumidor está se expressando e que podem ser pontos de contato fundamentais para estabelecer, intensificar, criar ou melhorar o relacionamento da sua marca com seus consumidores? E ainda nem falamos da Geração Z…

Um exemplo que gosto de mencionar sempre em palestras é o da IBM, que criou um mentoring reverso no qual os mais jovens foram eleitos mentores dos mais velhos. Resultado: quatro diretores old school não suportaram a radical ideia e deixaram de fazer parte da companhia. Tudo tem seu preço. Na empresa anterior em que trabalhei, por exemplo, foram criadas sessões digitais gratuitas para toda a companhia, com a finalidade de disseminar as mudanças trazidas pelo novo comportamento de mercado. Além disso, a representação gráfica do meu departamento era totalmente fora do convencional, apresentada em formato de teia e com o consumidor como centro e objetivo de todas as nossas atividades. E todos trabalhavam exatamente com os mesmos objetivos e projetos, garantindo otimização do tempo, de recuros, infraestrutura e investimentos.

Descobrir o Valor Interativo presente nas companhias é exatamente o mesmo processo de enxergar e avaliar o Valor Interativo presente nos meios digitais e que responde por mudanças significativas em processos de comunicação, Marketing, vendas e pós-vendas. Portanto, vale a pena munir-se de um bom olhar crítico e auditar as relações internas da sua empresa, de modo a identificar a quantidade e a qualidade das interações entre funções e funcionários, que deveriam ser interdependentes e organizados organicamente. Chegou o momento, meus caros, de revisitar a representação gráfica e a própria função dos organogramas.

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