Impresso ou digital? Qual é o seu papel, jornal?

No último dia 15 foi publicada a edição 2010 do The State of The News Media, relatório anual sobre a saúde do jornalismo nos EUA. Logo no início a preocupação ainda recai sobre as receitas perdidas pela recessão. E entre tantos números críticos, aqueles relacionados ao mercado publicitário são de chamar realmente a atenção. Nos últimos três anos os jornais perderam 43% de receita publicitária. Só em 2009, tanto os jornais online quanto os offline amargaram cruéis 26% de perda. A única que se safou dessa foi a TV a cabo, que nada perdeu em receita publicitária, mas já que vocês, caros leitores, estão curiosos, vamos falar dos outros veículos: queda de 8% nas redes de TV, 17% nas revistas, 22% no rádio e outros 22% de perda para as emissoras locais de TV. Ok, agora chega de tanta desgraça!

Um artigo do Observatório de Imprensa publicou recentemente que o jornalismo é o setor mais afetado da comunicação social no Brasil, pelas mudanças provocadas pela Internet. É certo que passamos por uma quebra total de paradigmas e também já é evidente que a publicidade online dificilmente vai pagar as contas dessa indústria. Então a pergunta passa a ser: alguém está fazendo algo para encontrar novas maneiras de financiar o jornalismo?

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) defende a credibilidade do jornal e crê que os consumidores, ao valorar a origem da informação, estarão dispostos a pagar por conteúdo online. Se o modelo de negócios do futuro será a combinação de jornais impressos e suas versões online, ainda não se sabe (vale a pena ler o post Online e offline: o casamento perfeito). O que se alardeia, no entanto, pelos corredores da ANJ, é que os jornais de papel têm futuro a longo prazo. Fato é que as empresas jornalísticas que não compreenderem que os consumidores já enxergam as notícias online como commodities estarão fadadas ao fracasso. Só para dar um exemplo, o jornal Seattle Post, um velhusco de 146 anos, decidiu extinguir sua publicação tradicional e se tornou o primeiro diário digital dos Estados Unidos. Apimentando um pouco mais a conversa, a relação entre blogs e jornais também precisa ser objeto de muita atenção e estudo porque, de certa forma, já podemos considerar o blog um novo estilo jornalístico… Ou não?

Existem alguns caminhos a serem explorados: maior integração com as novas tecnologias, constante busca por vantagens competitivas e a criação de nichos para informações especializadas.  E talvez a recomendação mais importante seja: não tenham medo da mudança! Quem sabe não é este mesmo medo o agente que atravanca a publicidade na Internet?

Caros leitores e amigos jornalistas, o mundo está andando mais rápido do que a gente consegue acompanhar. O que afeta os jornais não é exclusivo da área jornalística. Estamos no meio da mesma onda de mudanças e não sabemos o que será do futuro. Portanto, exultem, nobres arautos da imprensa, porque vocês não estão sozinhos!

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15 de fevereiro de 2018

Comments (4)

  1. Fernando Adas says:

    Caro Bulla, não tenho dúvidas de que a segmentação é o caminho necessário à sobrevivência dos jornais. Durante décadas sendo vistos como mídia de massa, esta classificação é questionável em um país como o nosso, cujos consumidorea não sabem, não gostam ou não querem ler. Por isso, o jornal precisa buscar seu cliente em nichos mais voltados à informação dirigida e personalizada. Menos cadernos!!! Mais conteúdo!!! Abraços e parabéns pelo blog.

    1. edmarbulla says:

      Oi Fernando, obrigado pela visita e pela opinião. Abraço, Bulla.

  2. Guilherme Dorf says:

    Não sei qual é o caminho, mas achei essa ideia muito interessante: http://www.rebuscandoideias.com.br/2010/01/midias-antigas-ideias-novas.html.

    Já pedindo desculpas pelo jabá, acho que dificilmente os jornais se reuniriam dessa maneira por aqui, mas eu acredito muito nesse formato.

    Abs

    1. edmarbulla says:

      Publico seu “jabá” com prazer, Guilherme! =D

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