Mobilidade, Internet móvel aberta e Publicidade

Os números da indústria da mobilidade não param de impressionar. De acordo com o Gartner, no primeiro semestre de 2009 foram vendidos 77 milhões de smartphones no mundo. A Juniper afirma que 15% de todos eles pertencem a usuários de Internet móvel. O número de aplicativos atinge um volume impressionante, muito impulsionado pelo aspiracional universo criado pela Apple. No entanto, um dos dados que talvez mais impressione vem da China Mobile, que afirma que 91% dos usuários mantém seus aparelhos a menos de 1 metro de distância, 24 horas por dia, 7 dias por semana. E isso me leva a pensar no papel desempenhado pelo celular (ou qualquer que seja o nome de um dispositivo móvel semelhante), cada vez mais, como agente de integração do cross-media na publicidade.

A mídia já é pessoal. Por mais resistência que ainda exista ou pelo medo da mudança em si – que acaba retardando a decolagem definitiva da publicidade na Internet – temos uma audiência compartilhada, fomentada pelos diversos aplicativos de instant messaging, que fazem da web uma plataforma usual e corriqueira, além da proliferação de conteúdo nos seus mais distintos formatos.

Com 1,6 bilhão de pessoas online no mundo, a distribuição de qualquer conteúdo já é mais efetiva via Internet, o que torna áudio, vídeo, notícias, busca e classificados conteúdos acessíveis na palma da mão, por qualquer que seja o dispositivo móvel, já que agora temos uma nova categoria criada pelo iPad.

E a fórmula vencedora para a Internet móvel é propiciar, cada vez mais, a partir de um plano de dados ilimitado e suportada por uma interface de uso simples, uma experiência de navegação completa e agradável. Sem dúvida alguma estamos falando de desafios, já que existem alguns imperativos estratégicos para essa evolução: a Internet é a plataforma; um sistema de busca muito rápido e muito eficiente precisa ser implantado e massificado; por fim, temos que explorar amplamente os chamados LBS (Location Based Services). E talvez este último pilar seja o catalizador do aspecto socializante de um dispositivo habilitado para a Internet móvel aberta: eu posso compartilhar onde estou, o que estou fazendo, ouvindo, sentindo… A partir disso as possibilidades de interação humana através de um dispositivo eletrônico atingirão um patamar nunca antes visto.

O time-to-market é muito rápido e a obsolescência dos produtos quiçá seja mais premente ainda, portanto os ciclos de inovação precisam ser igualmente (ou mais) rápidos. Mais do que isso, precisam ser certeiros. As tendências para os dispositivos móveis podem seguir caminhos já trilhados pela Internet via computador, oferecendo caixas de busca customizadas e displays cada vez mais otimizados para “celular”. No entanto, a despeito de toda evolução tecnológica que envolve a mobilidade, ainda insisto em dizer que a grande sacada é melhorar a experiência do usuário com os sistemas baseados em GPS (Global Positioning System), que propiciarão o compartilhamento simples, rápido e personalizado de momentos da vida, a qualquer hora, de qualquer lugar. Estou falando de sinapses humanas facilitadas por tecnologia integrada, via plataforma web, e totalmente cross-media.

E a publicidade nesse contexto? Já temos nos perguntado que progressos têm sido feitos para descobrir novas maneiras de financiar os veículos tradicionais diante do fato (ou indício) de que a publicidade online convencional nunca sustentará a sua própria indústria. Agora só nos resta questionar que tipo de contribuição a publicidade mobile efetivamente trará nos próximos 5 anos. E tudo isso vai depender, pura e simplesmente, de algo chamado inovação.

Share This Article :

Related Posts

Inovação e empregabilidade

15 de fevereiro de 2018

Inovação é a saída para o varejo

14 de dezembro de 2017

Comments (3)

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Marcelo Calbucci, Edmar Bulla. Edmar Bulla said: Mobilidade, Internet móvel aberta e Publicidade no #blogsulfurico: http://migre.me/wMTn […]

  2. Leandro says:

    Olá Bulla.
    Realmente a internet mobile tem crescido e tomado força nesses últimos anos. Já tem dados de que o Google no Japão ganha mais dinheiro vendendo publicidade no celular do que na web.
    Concordo plenamente com fato de que muito mais que apenas adaptarmos a publicidade ao mobile, mas sim inovar.

    Abraço, Leandro.

    1. edmarbulla says:

      Pois é, inovar é uma palavra-chave. Inovação não requer necessariamente investimento elevado ou ações mirabolantes, mas sim ver o mesmo objeto de estudo de um ângulo inusitado ou sob outra perspectiva. É inovar a ação, literalmente. Afinal de contas, a roda já foi inventada, não é mesmo? =D Abraço, Bulla.

Leave A Reply