Não crie microsites. Crie relacionamentos.

Ao criar as famigeradas campanhas, muitas agências geralmente apresentam uma lista magnificente de atividades, incluindo um plano digital. Lá no finalzinho eles sugerem a criação de um microsite ou hotsite que, segundo alguns, “não é tão importante assim”, mas “vai hospedar toda a campanha que roda na TV”. Ok… Respire fundo, tenha foco e pergunte-se antes:

Qual a finalidade deste microsite? Onde ele será hospedado? Por que ele deveria ser criado? Ele é realmente necessário? Como vou mensurar a sua eficácia? Quanto de retorno ele vai trazer na contrapartida do investimento para desenvolvê-lo e mantê-lo? Qual será o uso desse microsite após a campanha?

Se todas estas perguntas forem respondidas clara e positivamente, vá em frente e remunere sua agência. No entanto, se você não encontrou respostas convincentes e sua intenção é criar e promover uma nova URL para depois desativar esse monstrinho ao final da campanha, creio que seja melhor repensar a estratégia. Se o principal motivo é criá-lo somente “porque toda campanha hoje em dia tem que ter um microsite” ou “porque o pessoal da agência acha que é importante”, melhor começar tudo de novo. Pense que o dinheiro de sua empresa está sendo mal empregado neste caso.

Hoje em dia, muitas campanhas são executadas utilizando-se de páginas customizadas ou novas áreas criadas no próprio portal da empresa, o que é deveras inteligente, elimando investimentos desnecessários em microsites e separate sites. O principal argumento é que todo o tráfego gerado pela campanha será direcionado para o seu domínio, criando a possibilidade de navegação em outras áreas a partir, por exemplo, da landing page feita para aquela atividade específica. A partir daí você gera situações de descobrimento e encantamento para o seu consumidor. Além disso, todo o investimento de mídia – online e offline – será revertido para a consolidação de um domínio que, seguramente, vale muito mais a pena reforçar como suamarca.com.br, do que qualquer outro chamado promo123.com.br. Isso faz parte da estratégia de criar relacionamentos contínuos, na qual você posicionará sua marca como o principal elo de ligação com seus consumidores, aumentando sua relevância e gerando um número de returning visitors que pode alavancar o tráfego dos seus canais digitais, além de contribuir para transformar seu portal estático, corporativo e muitas vezes monótono num endereço digital no qual você possa, de fato, criar conteúdo dinâmico e fazer negócios.

Obviamente, cada caso é um caso. Por exemplo, em situações de marcas guarda-chuva que necessitam da gestão de sub brands, o contexto é diferente e necessita de uma estratégia alinhada com objetivos muitas vezes distintos entre as marcas, justificando o investimento em ações pontuais e isoladas.

Moral dessa estória:

1. Menos é sempre mais!

2. Ao final, tudo vai depender da sua finalidade de negócios.

3. Sua marca é mais importante do que sua promoção.

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1 Comment

  1. […] Discutiu-se muita coisa e, claro, o papel das agências, que passam por um momento de transição – o que é sabido por todos. No atual tesarac, “ninguém sabe dizer ao certo o que define uma produta de uma agência digital”, segundo Marcelo Prais, da Almap/BBDO. E completou dizendo que “buscar construir estratégia digital hoje em dia, com os meios de comunicação ficando cada vez mais fragmentados e complexos é tarefa muito difícil”. E os meios digitais configuram nesse contexto e inspiram a própria reorganização do mercado. O que não podemos mais é ficar distraídos e perder o foco. Não podemos mais investir na construção de sites que não se cumprem enquanto comunicação, a exemplo de uma notória marca de amaciantes de roupa citada no evento, em cujo website foram investidos, por seis meses, tempo e dinheiro para, depois de quatro meses do lançamento, não se saber mais a sua função (dêem uma lida no post Não crie microsites. Crie relacionamentos.). […]

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