O home office e a resiliência

Pense numa tarde de sexta bem chuvosa em São Paulo. Antes disso, imagine um céu escuro já no almoço e você sabe que tem que atravessar a cidade porque não pode perder aquele compromisso. Um pouco mais cedo ainda, bem na hora de sair da casa para ir trabalhar, visualize caminhões quebrados em quatro principais vias da cidade somados a alguns outros pequenos acidentes. Dia de caos no trabalho? Inferno no trânsito? Talvez sim, talvez não. Tudo vai depender de onde, com quem e como você trabalha.

Considerando todas as horas paradas no trânsito, mais as horas tensas em que você perde o foco só de ficar pensando em “ter que sair mais cedo”, acrescidas às reuniões que você “tem que fazer rapidinho”, porque é o dia do seu rodízio, que tal adotar o home office?

Enquanto você fica tuitando no carro, baixando emails no Blackberry, fazendo uma conferece call com fornecedores em plena marginal, que tal pensar em trabalhar de casa? Boa idéia, não!? Também acho, mas existem dois fatores restritivos a isso: disciplina e cultura.

Se você é um ser realmente disciplinado, produz muito mais em casa do que no trabalho e pode realizar a maior parte das suas tarefas à distância, vá em frente. Se você esbarrar no chefinho old school vai ser dose, eu sei… Daí lá vem o cara com o papo de que o outro fulaninho vai reclamar, porque ninguém pede isso, a empresa não tem essa cultura e, além disso, você saberá que ele pensa que você vai ficar grudado na TV assistindo Sessão da Tarde. Balela! Aplique um teste para medir o quão resiliente e flexível seu chefe é e você terá uma surpresa (ou talvez nem tanto) de onde esse sujeito está numa escala de 0 a 10. E daí você (e eu) nos perguntamos: ser flexível e resiliente não deveriam ser características de todo líder? Enfim…

Alerta importante: não faça isso em casa! Não consulte o RH da sua empresa se este é o cenário, porque provavelmente eles vão dizer que você está sendo reativo e querendo implantar idéias subversivas, ok!?

O que não dá pra entender é que, apesar de muitas empresas já terem adotado o home office como política de trabalho, muitas outras insistem em modelos clássicos de administração, bem à moda Adam Smith: muitas mesinhas, cadeiras e um chefe onipresente. Quando é que vão descobrir que o home office faz bem pra todas as partes e pode economizar um bom dinheiro para a empresa, deixar o funcionário mais satisfeito e quiçá aumentar a produtividade? Quando vão se dar conta de que uma teleconferência ou uma web conferência são bem mais saudáveis, em todos os aspectos, se comparadas a uma viagem de avião? É fato: o home office veio para ficar para diferentes cenários: metrópoles, multinacionais e até mesmo start ups.

Bom, eu imagino que muito do que foi descrito acima realmente já aconteceu, acontece ou acontecerá com você, caro leitor, algum dia. É importante entender que não adianta “bater de frente”, só porque você acha que o mundo está mudado. Fato é que seu chefe precisa ser (ou estar) mudado, muitas vezes (e você, definitivamente, não tem o poder de fazer isso, concorda?). Mas estamos na era digital e a mobilidade é a senhora toda-poderosa reinante. Portanto, seja paciente, pois mais cedo ou mais tarde, até o cara do RH vai ser substituído, justamente por falta de resiliência.

Como bem comentou o leitor @brunoborrajo, desde que bem feito e administrado, o home office é rentável para todos os lados.

Share This Article :

Related Posts

Inovação e empregabilidade

15 de fevereiro de 2018

Inovação é a saída para o varejo

14 de dezembro de 2017

Comments (6)

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Edmar Bulla. Edmar Bulla said: Post #sulfurico do dia: o home office e a resiliência. http://migre.me/sHVJ […]

  2. Marcel Mello says:

    Particularmente, como freelancer, acho que as empresas deveriam adotar esse formato, pois o tempo gasto pelos funcionarios para chegarem até a empresa seria tranformado em maior produção…

    1. edmarbulla says:

      Má, eu acredito que não somente pra freelas a situação é válida, mas também para muitos profissionais que são CLT e que poderiam desempenhar suas funções remotamente.

  3. Jayme says:

    Depende, se eu for o funcionário eu sou a favor, se eu for o chefe eu sou contra….entenderam???

    1. edmarbulla says:

      Aí não dá, Jayme! rsrsrs. Posição em cima do muro não pode! ; )

  4. Fernando says:

    Sou totalmente a favor desde que seja permitido por ambas as partes, sem transito, sem manifestações de professores, enchente rs.
    Em SP na atual situação é a melhor solução.

Leave A Reply