Por favor, não chame tudo de Internet!

Sim, Internet é algo complexo. Quem diz outra coisa, não sabe o que está falando. Fazer marketing digital requer conhecimentos específicos que vão muito além da escolha de cores para o anúncio ou o casting para a TV. Fazer web é lidar com uma ciência muitas vezes exata, construída por detalhes, não factível a erros, com diferentes facetas e múltiplas aplicações.

A partir desta premissa poderíamos elencar as mais diferentes funções e atribuições de profissionais digitais: desde programadores, passando por web designers a estrategistas; de especialistas em search, arquitetos de informação a analistas de métricas; de gestores de bases de dados, analistas de TI a craques em Flash… A quantidade de especialistas e a especialidade de cada profissional fazem do negócio online algo bastante intrincado, metodológico, processual e fascinante!

Em função desse cenário, profissionais mais conservadores tendem a cometer alguns deslizes, justamente por não conhecer como acontece o ways of working digital. Entre os problemas mais comuns está a inabilidade para solicitar – em outras palavras, não sabem o que e nem como pedir. Para muitos desses profissionais, a linha que divide tecnologia e marketing digital é nebulosa ou quase inexistente. Neste ponto, a web para eles já se tornou algo chato, burocrático e que vai depender de uma série de requisições bem definidas. E aqui vai um desabafo: sinto muito, senhores! Não dá para aprender tudo do dia para a noite, mas vocês precisam começar de algum ponto! E também não dá tempo de explicar sempre como funcionam as coisas!

Sejamos francos: o mercado precisa de profissionais de marketing mais digitalmente preparados, especialmente os que ocupam funções de liderança, com autonomia e poder de decisão. É irrefutável esta realidade, mas a resistência ainda é intensa, motivada pelo medo de mudar, de sair da zona de conforto, de perder o status, o poder e até mesmo o próprio emprego. Quando é justamente o caminho oposto que vai garantir vida longa a esses profissionais menos resilientes.

A estória ainda piora, porque a falta de habilidade para saber solicitar esbarra na capacidade limitada de saber analisar as entregas e os resultados. Então surge um problema mais sério, que é justamente a falta de noção para mensurar recursos humanos, tecnológicos e investimentos, somente para citar os mais críticos. Para muita gente por aí, tudo que é digital, tenha o nome que tiver, acaba virando genericamente Internet. E a inteligência aplicada ao negócio digital passa despercebida, sem valorização e sem reconhecimento, muitas vezes. Como tudo é Internet, não existe distinção entre o que é search, o que plugin e o que é servidor, e os profissionais online, que são valorizados no seu meio justamente pelo capital intelectual, acabam ganhando a alcunha genérica de “profissionais de Internet”. Mais respeito, por favor! Não dá para vestir um chapéu só chamando Internet, porque isso emburrece!

A situação vai ficando cada vez mais complicada porque muitas empresas querem conquistar todas as fronteiras digitais, desbravar territórios nunca dantes explorados e alcançar o topo do reconhecimento com cases premiados, porque afinal de contas está tudo muito na moda. No entanto, como disse antes, os gestores não sabem pedir, não sabem o esforço que isso vai gerar, não têm idéia de quanto vai custar e, pior, sempre pensam que tudo se resolve no prazo máximo de um mês.

O raciocínio é mais ou menos assim: se mudar a foto do anúncio pode durar menos de uma hora, por que Internet demora tanto? E eis que surge um novo e maldito jpg, somente para corroborar a fama de que tudo que é digital é complicado demais para ser entendido! Fica difícil explicar que a mudança da imagem vai impactar na reprogramação das dezenas de peças de mídia digital que estavam prontas para serem veiculadas, que cada uma delas deverá ser refeita, que isso pode levar dias, sem contar os trâmites de perda de inventário do plano de mídia, indexação, auditoria, adserving, etc? E daí é inevitável ouvir que “esse negócio de Internet é complicado demais e as agências são todas incompetentes”!  Afinal de contas… “É só mudar a foto!”

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Comments (7)

  1. Caio Mac Cord says:

    Parabéns pelo artigo Edmar… nós, profissionais da Internet, agradecemos rs.

    1. edmarbulla says:

      Obrigado pelo comentário, Caio. Nós estamos nessa juntos. Abraço, Bulla.

  2. Rodrigo "cHiPs" Tesch says:

    Pois é Edmar… me fez lembrar que estava tirando sarro da cara de um amigo que é Administrador de Sistemas de TI em uma rede de lojas quando ouvi sua namorada dizendo pra uma amiga que ele “meche com computador”…

    Infelizmente temos que tomar rótulos simplificados e “emburratizados” (se a palavra existir) pois a maioria das pessoas não tem conhecimento geral, muito menos especifico das profissões que o cercam… não os culpo… pois acredito que ninguém consegue estar imerso em tantos “mundos” profissionais existentes e com certeza devo chamar algum profissional de áreas que pouco conheço por um rótulo julgado por ele como generalizado ou que desvaloriza sua capacidade…

    Obviamente, concordo, com lida diretamente com outros profissionais de ramos próximos devem tentar conhecer melhor… mas… faz parte do nosso cotidiano lidar com as burradas do mundo profissional e tentar de alguma forma mudar o ambiente a nossa volta.

    1. edmarbulla says:

      Obrigado por dividir seu ponto de vista com a gente, Rodrigo. Concordo contigo que depende muito de cada um contribuir para criar uma cultura cada vez mais digital. Abraço, Bulla.

  3. Marcelo Namura says:

    Edmar,

    O tema do artigo nos leva a algumas reflexões, algo um pouco mais “profundo” do que a simples falta de reconhecimento deste mercado.

    Acredito sim que a falta de cultura e conhecimento em digital perante gestores (nossos clientes) é um grande problema, e ainda, isso irá piorar (por enquanto), pois o progresso no digital é muito rápido e cada vez mais o abismo entre este profissional e este mercado aumentará.

    Mas vejo como uma luz, assim como no âmbito político, uma renovação na gestão das empresas por profissionais de vanguarda, este os quais trarão a inovação para dentro das corporações, e a conduzirão com mais ousadia e acertividade. Este ano, que tem um significado especial, nos esbarramos com a chegada da geração Y aos 30, e começamos a ver destaques no mercado com jovens profissionais em cargos de gestão. ( Minha humilde opinião… 😛 )

    Obviamente nos esbarraremos com alguns problemas neste aspecto, como falta de maturidade profissional, mas não quero entrar neste mérito aqui agora.

    Enquanto aguardamos essa “transição” acho que devemos nos manter no papel de evangelizar nossa cultura digital, trabalhando como suporte a essa deficiência nas corporações (falando como agência…rs) e não desaminar, never!

    Anyway, quero lhe agradecer pelo artigo, está ótimo, encaro-o como um desabafo escrito por você, representando todos nós!!! 🙂

    Abs,
    Namura

    1. edmarbulla says:

      Namura, curti muito seu comentário! Excelente lembrar que a Geração Y chega aos 30. E isso, sem dúvida, reflete muito as mudanças que já estamos vendo. Sou otimista sempre e acredito que temos um papel fundamental na construção diária desse cenário complexo (e colapsado) das corporações. Não temos problemas, mas oportunidades! Muito obrigado, mesmo, por ter dividido sua opinião comigo e com os leitores. Forte abraço, Bulla.

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