Apostas para 2010: Classe C, celulares e Internet

O Brasil encerrou o ano de 2009 com 174 milhões de celulares. Este número representa 90,55 celulares para cada 100 habitantes do país! Sim, são muitos e a tendência é aumentar ainda mais, considerando todas as tendências de mercado e hábitos de consumidores, como eu e você, que estamos lendo esse post.

A base de pré-pagos ainda continua sendo esmagadoramente maior que a de pós-pagos: são 81,47% contra meros 17,05%, segundo dados de 2009. Se a banda larga impulsiona o crescimento da Internet, também impulsionará a disseminação do uso do celular como aparelho multimídia. E a Classe C representa uma importante força motriz nesse processo de popularização e disseminação do uso dos aparelhos celulares como commodities para uso online. E se a cultura do acesso à web via mobile for popularizada, a partir da diminuição dos custos para se obter e usufruir de um pacote de dados, especialmente para aparelhos pré-pagos, ou por um plano de expansão da banda larga, aí sim vamos ter uma grande revolução digital nesse país.

Entre os diversos sonhos de consumo da classe C, possuir um computador e acesso à Internet ainda são prioridades. Em 2009, a comercialização de PCs superou em quase 50% a de TVs e a Internet foi a mídia que mais cresceu em 2009. Até novembro de 2009 o índice chegava a 23,27% em relação ao mesmo período de 2008. E a despeito da participação modesta da mídia Internet no bolo publicitário em relação à TV aberta, que pouco passará dos 4% em 2009, vemos claramente os efeitos da revolução digital e de uma classe C ávida por consumo de conteúdo, aplicativos e serviços digitais (que incluem o conteúdo da própria TV, não nos esqueçamos disso). O IAB define 2009 como um excelente ano: 66,3 milhões de pessoas acessaram a Internet, confirmando a inegável potência da rede como meio eletrônico de massa e de alta cobertura. E a classe C nada de braçada, sendo a que mais cresce em participação no uso da rede: de cada duas pessoas desse segmento, uma acessa a Internet.

Voltando aos celulares, o grande destaque do ano passado foi para a aquisição de smartphones, que ainda deve ter um aumento significativo em 2010. Segmento mais que concorrido, fabricantes e operadoras devem fazer brilhar aos olhos do consumidor ofertas irresistíveis – e também muito similares. Este é um mercado muito mais que “commoditizado” e o próprio conceito de smartphone já deveria ser repensado, levando-se em conta que muitos dos antigos diferenciais hoje fazem parte do pacote básico, o que é muito bom para o consumidor, que passa a adquirir aparelhos cada vez mais equipados e capazes de conectá-los à Internet.

Empresas voltadas à produção de conteúdo mobile e à aculturação do aparelho como meio eficaz de conexão com a Internet certamente vão começar a ser mais relevantes a cada dia. E precisamos incluir nesse discurso a publicidade no celular, que ainda merece ser muito, mas muito melhor explorada, dado seu infinito potencial. Estimam-se 5.5 bilhões de aparelhos celulares conectados à Internet em 2011 no mundo todo. Nenhuma outra mídia tem tanta penetração e cobertura com capacidade para estimular a troca de experiências e o compartilhamento da vida, seja através de uma simples ligação ou envio de SMS, seja através de sistemas GPS embutidos, super câmeras para fotos e vídeos, ferramentas de instant messaging e de compartilhamento online.

É fato que o Brasil é um país dominado pelas operadoras e por regulamentações do setor, então precisamos cobrar do governo mais acesso livre à banda larga e mais pontos de acesso à Internet e, das próprias operadoras, preços mais acessíveis em relação aos pacotes de dados. Precisamos ainda observar que tivemos um ano de crise em 2009, porém de excelentes números, como os vistos acima. A Internet se manteve firme e forte no seu crescimento. Portanto, olhos abertos para o ano de 2010, que promete muitas oportunidades de geração de receita e de trabalho, especialmente se fizermos o mix explosivo de Classe C + celular + Internet, não necessariamente nesta mesma ordem.

Fontes consultadas: IAB Brasil, Teleco, TGI Brasil, IBOPE–BASE DEZEMBRO/2009 e Projeto Intermeios.

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