A Incansável busca por felicidade plena e produtividade máxima.

Por Edmar Bulla

A Incansa?vel busca por felicidade plena e produtividade ma?xima.

Gregorio Duvivier em cena de “Sísifo” (Elisa Mendes/Divulgação)

“Mas eu não sei sentir. Só sei pensar”.

Foi diante desta frase que me deparei, dia desses, moderando um encontro de executivos. Perguntei três vezes ao jovem de 30 e poucos anos, VP de alguma coisa, o que ele sentia naquele momento. A agonia desse indivíduo considerado um “líder de alta performance” pela empresa em que ele trabalha transbordava pelo seu olhar fixo em mim como se pedisse ajuda. Ele ficou paralisado diante da minha simples pergunta. Os braços firmemente cruzados em defesa, o paletó preto e a calça social transpiravam junto ao tênis descolado, ao ar livre, sob um sol de 35 graus. Era o próprio Sísifo personificado em minha frente. Sua pedra era seu si-mesmo perdido.

[Estamos nos aniquilando pelo cansaço na busca pela perfeição]

Vi ali uma representação de tantos outros “líderes” que vivem uma dualidade sem fim: são cobrados por metas financeiras, enquanto precisam construir equipes plenas, diversas, inclusivas e colaborativas. Samaritanos que batem metas, inspirando uma humanidade que já não possuem. Eles precisam ser felizes, parecer felizes, inspirar, fazer outras pessoas felizes e superar as expectativas de resultados. Produtividade máxima e felicidade plena em um ambiente, quase sempre, nada facilitador.

[Estamos dissociando cada vez mais]

Há décadas temos construído esse comportamento e ideologia destrutivos: a de que o céu é o limite, que você não pode desistir, que metas são a máxima instância, que sucesso é trabalhar muito. Estamos operando com script para tudo. Nada pode fora dele. Que chatice, p&@*! O desenrolar dessa novela já é triste. E o prognóstico não é nada bom.

[Estamos vivendo a sociedade do cansaço de Byung-Chul Han]

Estamos cada vez mais perdendo a individualidade, replicando a pseudo felicidade das redes sociais, acessando menos nossos espaços de transicionalidade e sendo menos espontâneos. Humanos que cada vez mais precisam de regras, de frameworks, dos 10 passos do sucesso ou qualquer outra receita de êxito, da eficiência a qualquer custo.  Mais, mais e mais! E nosso poço de recursos anda cada vez mais escasso.

[Humanos performáticos que ganham mais dinheiro e, paradoxalmente, estão cada vez mais pobres]

A cobrança desmedida da super performance está transformando humanos em super autômatos. São pré-programados. Funcionam ao apertar de um botão em um mecanismo funcional de recompensas capitalistas.

Pobres humanos que contratam coaches para ensiná-los a felicidade. Eis aí o cúmulo da produtividade! Só esquecem que felicidade não se pensa. Pra ser feliz é preciso sentir.

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Escrito por
Edmar Bulla
Palestrante sobre inovação, tendências e comportamento |
Fundador do Grupo Croma | Embaixador ChildFund Brasil.
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