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por Edmar Bulla, estrategista de inovação e fundador da Croma Consultoria
CAPA PENDENTE — AGUARDANDO IMAGEM DA CROMA
Imagine uma época em que um televisor pesava cerca de 30 kg, funcionava com válvulas e exigia que o espectador se levantasse do sofá para trocar de canal. O conteúdo na tela era decidido por poucos e não havia espaço para participação ou escolha individual.
Hoje, essa realidade é completamente diferente. Em praticamente todos os lares, independentemente da classe social, existe uma experiência audiovisual omnichannel que integra televisão tradicional, Smart TV, dispositivos móveis e redes sociais para oferecer consumo contínuo, interativo e sob demanda. A televisão deixou o tubo de madeira e se transformou em uma plataforma viva que conecta o ao vivo, o digital e o conteúdo sob medida.
O Estudo Gerações, da Croma Consultoria, revela dados interessantes quando o assunto são os streamings de áudio e vídeo. A Geração Z (16 a 26) fala que o streaming faz parte de suas vidas, mas não ficam o tempo todo curtindo séries em casa, pois gostam de socializar. Já a Geração Y (27 a 42) declara alta intenção de manter seus streamings de áudio e vídeo. Entretanto, gostam de diversão fora de casa.
No caso da Geração X (43 a 58), eles são os menos adeptos ao streaming de vídeo, mas possuem maior intenção em ter uma assinatura. Baby Boomers (59 ou +), é a geração que menos utiliza o streaming de música, mas tem alta intenção em ter uma assinatura. No caso do streaming de vídeo, são os que mais utilizam, quase empatados com a Geração Y.
Os Baby Boomers (59 ou +) são os que mais assinam e pretendem manter o serviço de vídeo (66%); em seguida, a Y, com 64%; a Z, com 59%; e a X, com 54%. Quanto ao áudio, o maior índice está entre os millennials (geração Y), com 46%; seguidos pela Z e X, que estão empatadas em 43%; e por último estão os Baby Boomers, com 37%.
É perceptível que a mudança não ocorreu apenas nos aparelhos. A relação com a audiência se tornou mais complexa. Agora, o alcance e a credibilidade da TV tradicional se combinam com a personalização, a segmentação e a interatividade do digital. Novelas e jornalismo continuam sendo âncoras de grande relevância, enquanto novas camadas de experiência se sobrepõem.
O modelo omnichannel coloca o espectador no centro. Ele decide, com um clique, o que assistir, quando assistir e de que forma interagir. A televisão se reposicionou como um meio dinâmico e interconectado que une o tradicional e o tecnológico para gerar valor por meio da experiência.
No centro dessa transformação está a convergência e a digitalização dos meios. Essa mudança é estrutural e redefine formatos, processos e o próprio ato de consumir mídia.
A televisão brasileira vive essa mudança desde 2007, com a digitalização do sinal. Entramos no momento pós-televisão, em que coexistem TV aberta, conectada, por assinatura e hipertelevisão. Esse novo cenário vai além de transmitir imagens, criando um diálogo entre o audiovisual tradicional e os conteúdos originados no ambiente digital.
Antes, a televisão no Brasil tinha modelos diversos, mas pouca integração. Hoje, cada ponto de contato constrói uma experiência única, impulsionada pelas transformações da quarta revolução industrial e por uma visão de futuro. A TV omnichannel é a síntese dessa evolução.
O controle remoto agora é mais do que um acessório. É a chave que libera não apenas programação, mas liberdade de escolha, imersão e fluidez entre formatos. Em um mundo cada vez mais multitarefa e digital, a televisão seguirá se reinventando para atender às múltiplas demandas e possibilidades do público contemporâneo.
Edmar Bulla é fundador do Grupo Croma e atua há mais de duas décadas nas áreas de inovação, comportamento, estratégia e design de futuros. Consultor de marcas líderes globais, conecta dados, cultura e estratégia para compreender transformações do consumo e dos mercados.
Publicado em: agosto de 2025