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Alimento é mais que comida!

por Edmar Bulla, estrategista de inovação e fundador da Croma Consultoria

CAPA PENDENTE — AGUARDANDO IMAGEM DA CROMA

A preocupação em relação à saúde e à qualidade dos alimentos é uma característica cada vez mais comum. Esse é um dado contemporâneo e se reflete no comportamento de consumo fora de casa e na busca por opções mais saudáveis. Isso se torna cada vez mais evidente, assim como a valorização do sabor nas escolhas alimentares. Ou seja, todos os segmentos revelam uma abertura para a experimentação de novos alimentos e tendências, embora a intensidade e a motivação desse processo sejam diversas.

As principais ocasiões de consumo fora de casa são almoço, lanche da tarde e jantar. A refeição no meio da tarde (almoço) é uma consequência decorrente da quantidade de pessoas que ainda trabalham presencialmente; por isso, alcança a maior frequência média de duas vezes por semana, principalmente em restaurantes e self services. Ocorre o mesmo com o lanche da tarde, que é a alternativa mais recorrente àqueles que têm uma diferentes jornadas na rotina diária, como estudo ou até mesmo prática de atividade física.

Já as refeições matinais, como o café e o lanche da manhã, são os menos consumidos fora de casa. O primeiro deles tem o maior apelo nas padarias, o que já é praticamente uma tradição. Percebe-se uma tendência de estabilidade ou diminuição da frequência de alimentação fora de casa, provavelmente devido a uma busca por alimentos mais saudáveis, a mais funções laborais exercidas em casa em comparação à época pré-pandemia, e, também devido à atual situação financeira que exige alguns cortes de gastos do trabalhador moderno.

Além das refeições em função do trabalho, verificou-se que as datas comemorativas e os encontros com família e amigos são os principais motivadores da alimentação fora de casa. A opção de pedir comida por meio de aplicativos de delivery contribui para uma retração no consumo do lar. Apesar disso, o uso de aplicativos de delivery se tornou tendencialmente estável.


Tão importante quanto as tendências são os segmentos e a maneira pela qual estes apresentam diferenças significativas em suas abordagens alimentares. Os permissivos tendem a priorizar mais o prazer e a conveniência, sem preocupar-se em demasia com a saúde. Já os hábitos dos moderados equilibram sabor e nutrição, buscando um meio termo entre indulgência e saúde. Os conscientes são mais seletivos. Priorizam alimentos nutritivos e sustentáveis, enquanto os exploradores demonstram alta sensibilidade quanto a questões de saúde e bem-estar, evitando, frequentemente, alimentos processados e com alto teor de açúcar.

Tal variação reflete diferentes níveis de consciência e comprometimento em relação às práticas alimentares saudáveis.

Verificou-se mais predisposição à alimentação fora de casa pelos exploradores, principalmente em função da sua busca por novos alimentos ou tipos de consumo relacionados a este tema, o que gera maior experimentação desses insumos e locais de consumo. A intenção de uso de aplicativos de delivery e de consumo on the go (que ocorre durante as atividades diárias, como o lanche após o treino da academia) é maior nesse segmento.

Embora menos propensos à experimentação de novos alimentos, os moderados acabam tendo papel importante no mercado de alimentação fora de casa porque têm em sua composição uma parcela maior de pessoas de classes mais baixas, as quais necessitam comer durante a jornada de trabalho. Permissivos mostram sua característica auto indulgente no maior consumo em lanchonetes e fast foods, presencialmente ou por meio dos aplicativos de delivery. Também buscam alimentos mais gordurosos e calóricos no

consumo on the go.

Aqueles que estão em busca de uma alimentação mais equilibrada, os conscientes, declaram que o consumo presencial em lanchonetes, food trucks e bares tende à diminuição de frequência. No consumo on the go se destacam pela busca de alimentos saudáveis e nutritivos. Os conscientes e os permissivos são os mais propensos a sair para comer fora em encontros familiares, com cônjuges ou amigos.

Comer fora de casa, de modo geral, apresenta tendência de estabilidade ou retração. A busca por uma alimentação mais saudável e balanceada, além da situação financeira do país, que exige uma contenção de gastos, pode ser responsável por esse cenário. Lanchonetes, food trucks e bares parecem estar mais suscetíveis a essa retração no mercado, enquanto padarias, cafeterias, restaurantes e self services devem ser menos afetados.

Embora o delivery de alimentos e bebidas seja uma opção muito atrativa, há uma tendência de estabilidade ou retração no uso. Além dos fatos já citados neste artigo, a percepção de falta de segurança na modalidade pode contribuir para esse comportamento. Apesar da busca por saudabilidade, a autoindulgência ainda é responsável por uma parcela interessante do mercado de alimentação, principalmente, nos aplicativos de delivery. Destacam-se os alimentos gordurosos e calóricos. No consumo on the go, os alimentos são mais saudáveis, já que esta é uma refeição intermediária, na qual as pessoas buscam apenas uma dose de energia para suportar a jornada de trabalho ou de estudo.

Edmar Bulla é fundador do Grupo Croma e atua há mais de duas décadas nas áreas de inovação, comportamento, estratégia e design de futuros. Consultor de marcas líderes globais, conecta dados, cultura e estratégia para compreender transformações do consumo e dos mercados.

Publicado em: agosto de 2025