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por Edmar Bulla, estrategista de inovação e especialista em comportamento
CAPA PENDENTE — AGUARDANDO IMAGEM DA CROMA
Pode não ser muito óbvio ao espectador moderno, mas um aparelho televisor já chegou a pesar cerca de 30 quilos ou mais, funcionava por meio de válvulas e, para mudar o canal, a pessoa tinha de se levantar e ir até o tubo de madeira para sintonizar em outra emissora. O que se via na tela passava pelo crivo de diretores e era impensável, há cinco décadas, que alguém um dia pudesse interferir na grade de conteúdo da programação, misturando diversas plataformas, digitais e analógicas, de diferentes empresas, dispersando, assim, a audiência, alterando a maneira pela qual interagimos com o audiovisual.
É fato: houve uma evolução no segmento. Agora, há, em quase todas as casas (ricas e pobres), uma plataforma omnichannel que é integrada a diferentes canais. O conteúdo é consumido de forma plural e multifacetada: compõem-na a TV tradicional, a Smart TV, os dispositivos móveis e as redes sociais. Assim, oferece-se uma experiência contínua e interativa ao usuário. A convergência entre televisão e internet permite que haja conexão em tempo real, havendo conteúdo sob demanda e expansão para algo que existe, atualmente, além do conceito “ao vivo”.
Mas não foram apenas os dispositivos que mudaram ao longo do tempo. A relação com a audiência tornou-se mais complexa. Público, emissoras e anunciantes passaram a atuar em um ecossistema multimídia por meio do qual destacam-se o alcance massivo e a credibilidade da TV, que está atrelada à personalização, à segmentação e à interatividade do conteúdo digital. As novelas e o jornalismo (que são as principais ofertas da TV aberta) continuam relevantes, principalmente quanto ao que concerne aos eventos de grande audiência. Ambos são âncoras da rede de experiência do usuário.
A estratégia omnichannel permite que o espectador esteja a um clique de distância da programação que ele mesmo escolhe, consumindo-a e interagindo com ela quando, onde e como preferir. A ubiquidade do conteúdo televisivo, atualmente, fundamenta a conexão de pontos entre contactos físicos e digitais. Ou seja, a televisão é, hoje em dia, vista como um meio vivo, dinâmico e interconectado, que se adaptou e se reposicionou para ocupar um papel central na comunicação contemporânea; desta maneira, unem-se o tradicional e o tecnológico para criar uma experiência de alto valor.
Os canais são complementares, servem-se uns aos outros, formando uma imensa cadeia de produtos. Pensemos: o que há de semelhante entre a cultura digital e a pós-modernidade? Ambas oportunizam a convergência e a digitalização dos meios de comunicação. Isso reformula os antigos formatos midiáticos; as transformações são estruturais e englobam seus aspectos intrínsecos e novas formas de consumo.
A TV brasileira, por exemplo, desde o início da sua digitalização, em 2007, viveu uma nova era, intitulada de pós-televisão. Abarcam-se, a partir disso, múltiplas plataformas e funcionalidades. Ela subdivide-se em quatro categorias: TV aberta, TV conectada, TV por assinatura e hipertelevisão. Tais segmentos mostram como esse setor ultrapassa o conceito meramente esboçado pela ideia de transmitir imagens por meio de um tubo de madeira e uma tela plana e reconstrói uma história repleta de ineditismo, propondo um diálogo entre os produtos tradicionais e os audiovisuais, que são oriundos da internet.
Anteriormente, a televisão brasileira entremeou-se em vários modelos distintos e sem grande integração; entretanto, já havia nela uma enorme possibilidade de oferta para que a audiência tivesse uma experiência única, em conformidade com uma realidade mercadológica e uma visão de futuro pautada pelos órgãos da área. Propôs-se, assim, mirar um caminho cuja percepção de conceito, diante das inúmeras transformações engenhosas da quarta revolução industrial, esquadrinhe uma hipótese do que venha a ser o seu porvir, que é a TV Omnichannel.
Preconiza-se o poder de escolha de quem está com o controle remoto nas mãos, a um clique da própria programação, o que lhe dá a possibilidade de transitar por diversos formatos e plataformas, escolhendo o que, como, onde e quando acessar os seus conteúdos, transformando a experiência televisiva em imersão. E, cada vez mais, o conceito de televisão digital será reinterpretado e ressignificado devido à multiplicidade de tarefas e de serviços disponíveis para o espectador.
Edmar Bulla é fundador do Grupo Croma e atua há mais de duas décadas nas áreas de inovação, comportamento, estratégia e design de futuros. Consultor de marcas líderes globais, conecta dados, cultura e estratégia para compreender transformações do consumo e dos mercados.
Publicado em: agosto de 2025