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*Por Edmar Bulla – fundador do Grupo Croma
CAPA PENDENTE — AGUARDANDO IMAGEM DA CROMA
Conforme o estudo Futuro da Relação do Brasileiro com o Dinheiro e as Finanças, desenvolvido pela Croma Consultoria, parte do Grupo Croma, observa-se que, embora apenas 24% da população se considere em uma boa situação financeira, mesmo havendo um otimismo persistente quanto ao futuro. O gáudio é predominante entre os que pertencem à Classe C. 83% das pessoas acreditam que a sua situação melhorará nos próximos dois anos, mesmo enfrentando desafios econômicos mais acentuados, como a inadimplência.
Os jovens da Geração Z estão começando a ter um pouco de estabilidade no mercado de trabalho. Portanto, entre eles está o grupo que mais relata precariedade financeira. 47% classificam sua situação como ruim ou péssima. E isso contraria o que se tem apregoado por aí, já que temos de levar em conta um mercado precarizado, com alta rotatividade no trabalho, sendo caracterizado por baixos salários, altas taxas de desempregos e um dos maiores endividamentos da história do país.
Além dessas dificuldades, os dados mostram que as desigualdades regionais são evidentes, especialmente no Norte e no Nordeste, locais em que a baixa empregabilidade e a inadimplência predominam. Tais fatores contribuem para uma percepção mais negativa sobre finanças pessoais nessas áreas, contrastando com o Sul e o Sudeste do Brasil, em que há maior estabilidade econômica.
Devemos sempre levar em conta a conjuntura atual para saber como o macro reflete na vida individual das pessoas. Para empresas, principalmente, no setor financeiro, esse estudo revela que a adoção de uma abordagem mais personalizada que seja voltada para as necessidades específicas de cada segmento da população será essencial para promover inclusão financeira, oferecer soluções de crédito adequadas e ampliar o acesso a serviços bancários.
As carteiras digitais e as novas tecnologias relacionadas a métodos de pagamentos e transações bancárias se mostram promissoras para atingir o público jovem, que busca inovação e conveniência nesse quesito. No setor financeiro brasileiro, as tendências de maior relevância incluem o crescimento da educação financeira, o aumento da poupança e investimentos mais conservadores, especialmente em renda fixa, como formas de proteção contra a instabilidade econômica.
As instituições financeiras que se posicionarem como facilitadoras dessa transição, oferecendo produtos e serviços que atendam a essas demandas, estarão mais bem posicionadas para liderar o futuro do mercado. Consequentemente, os futuros possíveis no Brasil exigem um entendimento profundo das necessidades e expectativas de diferentes classes e gerações. O planejamento estratégico deve se alinhar com essas tendências, permitindo que empresas financeiras se adaptem a um cenário em constante mudança, com foco em inovações tecnológicas, personalização de serviços e estratégias de mitigação de riscos para garantir um crescimento sustentável inclusivo.
As classes C, D e E demonstram urgência ao construir reservas, mas encontram dificuldades em empenhar mais de 10% a 20% de seus rendimentos a este fim. As diferenças quanto à intenção de poupança entre as classes escancaram a desigualdade econômica que assola o país. Aqueles que estão no topo da pirâmide, adotam estratégias financeiras mais sofisticadas e com chance de crescimento. Este grupo mostra que a poupança está associada a uma tendência de crescimento rentável e conhecimento de mercado.
O Estudo revela que 72% dos brasileiros pretendem guardar e economizar mais nos próximos 2 anos. Este dado é fortemente influenciado pela geração Z. 76% desse grupo demonstra a intenção de economizar mais. Essa disposição para aumentar a sua economia pode estar relacionada à sua crescente conscientização financeira e ao desejo de criar uma base sólida para o futuro, especialmente em um contexto de instabilidade econômica e incerteza.
Para promover uma recuperação econômica mais inclusiva e eficaz, é crucial entender essas dinâmicas e desenvolver estratégias que atendam às necessidades específicas de cada grupo. Isso pode incluir a educação financeira e o apoio ao planejamento para as gerações mais jovens. O fortalecimento das redes de suporte para as classes mais vulneráveis e a implementação de políticas que visem à redução das desigualdades regionais e sociais são urgentes em nossos tempos.
Edmar Bulla é fundador do Grupo Croma e atua há mais de duas décadas nas áreas de inovação, comportamento, estratégia e design de futuros. Consultor de marcas líderes globais, conecta dados, cultura e estratégia para compreender transformações do consumo e dos mercados.
Publicado em: abril de 2025