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O Ano em que o Consumidor Mudou as Regras e as Marcas Tiveram de Escutar

Por Edmar Bulla — fundador da Croma Consultoria

CAPA PENDENTE — AGUARDANDO IMAGEM DA CROMA

2025 foi um ano em que o comportamento do consumidor brasileiro deixou de ser apenas um dado de pesquisa e passou a ser um espelho da sua própria condição humana. A cada ciclo de estudo conduzido pela Croma, percebemos algo maior do que variações de intenção de compra ou oscilação de confiança: emergia um consumidor que não queria mais ser convencido, queria ser respeitado. Isso mudou tudo. E deveria transformar, para sempre, a maneira como marcas e propaganda se relacionam com pessoas.

O consumo em 2025 foi guiado por uma força silenciosa, mas poderosa: a intenção. As pessoas começaram a escolher com mais consciência, quase como quem afina um instrumento antes de tocar. Houve menos impulsos, menos improvisos e mais clareza sobre o que realmente faz sentido. Nossos indicadores mostraram que o comprador passou a avaliar o impacto emocional e financeiro de cada decisão. Ele aprendeu a fazer trade-offs com lucidez e aceitou que viver é, inevitavelmente, prioritário. Essa maturidade não engessou o consumo; ela o refinou.

Também assistimos a uma mudança profunda na noção de confiança. Não a confiança publicitária, estética e performada, mas a confiança ética. O público deixou de tolerar narrativas exageradas, discursos emprestados e promessas que não cabem na vida real. A propaganda perdeu decibéis e ganhou responsabilidade. Confiança se tornou o resultado de coerência, e coerência passou a valer mais que qualquer slogan.

A vulnerabilidade econômica, captada em nossos estudos financeiros, completou esse cenário. Dívidas, parcelas e receios sobre 2026 não paralisaram o consumo, mas o tornaram mais emocional e seletivo. Consumir deixou de ser compensação e se tornou autopreservação. As pessoas compraram aquilo que sustenta sua autoestima, sua sensação de dignidade e de controle. Nada mais, nada menos.

E, atravessando tudo isso, esteve a busca por autenticidade. Em 2025, a autenticidade deixou de ser um atributo e se tornou um limite. Marcas que tentaram vestir causas que não eram suas perderam espaço. As que sustentaram sua verdade, mesmo quando simples, ganharam relevância.

Comunicar deixou de ser convencer e passou a ser compreender. O consumidor mudou. Mudou sua lógica, seu ritmo, seu critério. E o mercado que não aprender a ouvi-lo, de fato, falará sozinho.

Como publicitário, vejo esse movimento como uma necessidade; como filósofo, como uma revelação; como músico, como um ajuste de harmonia; e como fundador da Croma, como uma oportunidade de traduzir esses sinais em caminhos mais humanos para as marcas.

Se 2025 nos ensinou algo, foi isto: não existe estratégia mais poderosa que a verdade que se sustenta. E não existe futuro para marcas que não entendem que, no fim, o que as pessoas querem não é propaganda, é sentido.

Edmar Bulla é fundador do Grupo Croma e atua há mais de duas décadas nas áreas de inovação, comportamento, estratégia e design de futuros. Consultor de marcas líderes globais, conecta dados, cultura e estratégia para compreender transformações do consumo e dos mercados.

Publicado em: dezembro de 2025