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Ser ou não ser, eis a propaganda: a autenticidade como fio condutor das marcas

Por Edmar Bulla – fundador da Croma Consultoria

CAPA PENDENTE — AGUARDANDO IMAGEM DA CROMA

Em um mundo saturado por estímulos, onde cada rolagem de tela derruba mais anúncios do que pensamentos, a pergunta clássica de Hamlet assume nova relevância: ser ou não ser autêntico. A propaganda, antes sinônimo de persuasão e repetição, agora enfrenta um dilema filosófico. O consumidor já não busca apenas produtos; busca sentido. E sentido não se produz em massa, se constrói com verdade.

A crise de propósito que atravessa o mercado não nasceu da falta de narrativas, mas do excesso delas. Em meio a slogans inspiradores, causas abraçadas pela metade e discursos embalados para viralizar, a incoerência virou ruído permanente. Se, como sugeriam os antigos filósofos, o homem deseja alinhar ação e essência, as marcas precisam urgentemente fazer o mesmo. Não basta parecer responsável, inovadora, inclusiva. É preciso ser.

É aqui que a filosofia conversa com o branding. Porque, assim como na vida, as marcas que sobrevivem são as que têm clareza sobre quem são e que demonstram isso nos detalhes, não apenas no discurso. A autenticidade se tornou o diferencial mais valioso num ambiente onde a inteligência artificial acelera processos, mas torna ainda mais fácil identificar o artificial no comportamento das empresas.

Nesse cenário, inovação não é sobre tecnologia, mas sobre coerência. E as marcas que entendem isso adotam práticas que unem propósito, experiência e impacto real. Por aqui, temos observado justamente essa transição: o uso de dados e inteligência cultural para construir narrativas que não maquiam uma identidade, mas revelam a essência da marca. O futuro não pertence às empresas que falam mais alto, e sim às que falam a verdade, mesmo quando ela exige mudança.

A revolução da autenticidade exige coragem. Coragem para assumir imperfeições, para dialogar com o público em vez de apenas informá-lo e, principalmente, para ser consistente. Quando cada interação reforça quem a marca é, a propaganda deixa de ser interrupção e passa a ser relação.

No universo filosófico, vale lembrar: a comunicação não deve responder apenas “o que vendemos”, mas “por que existimos”. Marcas são organismos vivos; crescem, se transformam e, assim como nós, precisam olhar para dentro antes de tentar conquistar o mundo. Ser ou não ser? No universo das marcas, essa já não é uma dúvida, é uma escolha diária. E, em tempos de demanda por autenticidade, apenas quem escolhe ser continuará relevante.

Edmar Bulla é fundador do Grupo Croma e atua há mais de duas décadas nas áreas de inovação, comportamento, estratégia e design de futuros. Consultor de marcas líderes globais, conecta dados, cultura e estratégia para compreender transformações do consumo e dos mercados.

Publicado em: novembro de 2025